Lola recomenda
segunda-feira, 14 de junho de 2010
ARTE E EROTISMO Por Lola Martini - LOLA volta com uma novidade: seu primeiro conto exclusivo para: Salamandra de Fogo.







Werner Rohmann
Erotic Scene, Mural Painting, Wat Suwannaram, Bangkok
X Plastic
Lola
A Cópula
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: – "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.
Assuntos: boca, morrer, Sexo, sua, Ter
Autor: Manuel Bandeira
A realidade da máquina?
..."Depois de mais umas tres gozadas ele começa e me foder mais de longe. Deixa o corpo descolado do meu e me come enfiando o caralho mais forte e vigoroso em mim. Seu rosto muda, fica mais bicho e nada gente."
Imaginando: chegando na cama e saindo dela
Queria vê-lo. E teria que ser assim. Eu chegaria e ele abriria a porta. Eu veria seu rosto, seus olhos carinhosos, seu sorriso leve. A seguir olharia pro desenho do seu pescoço de homem, e seus ombros sutilmente desenhados. Veria então seu peito forte por debaixo da blusa e seu pau ruivo e mole se insinuaria na situação. Então me emocionaria e me jogaria em seu peito, com a boca colada na dele dizendo: ai que saudades meu gato, meu tesão, meu amor. Minha boca já estaria aberta e eu o beijaria de leve, com minha lingua delicada e tarada penetrando de leve sua boca e sofrendo em seguida a doce angústia de ser penetrada pela lingua desejosa dele. Ele não ligaria para a porta aberta, e me abraçaria com um tesão que de repente acorda. Eu começaria a apertar minha púbis contra a dele, de forma cada vez mais intensa. Ele não aguentaria, pararia de me beijar e roçaria seu pau a caminho de ficar completamente duro na minha púbis, como um cão metendo em sua fêmea, enquanto vê no meu rosto todo meu tesão vunerável. Pararíamos, ele fecha a porta e diria: vou fazer xixi...vai para o quarto e me espera pelada. Eu vou. Tiro a roupa com vergonha, eu sei que ele vai chegar vestido. Isso me torna aberta.
Fico lá a imaginá-lo abrindo as calças, tirando o pau pra fora e o segurando enquanto mija. Imagino aquela urina forte saindo, imagino ele lá mijando enquanto sabe que vai me comer depois. Aquele mesmo pau, que mija...eu quero o pau dele. Ele chega, só de camiseta e cueca. Que angústia fria, eu o quero, eu o quero, ele se demora a vir..e eu lá, nua, esperando. Ai que tesão, vejo seu desejo, vejo suas formas, vejo o contorno do seu caralho na cueca. Ele tira a blusa e eu vejo o corpo de um homem. Depois tira a cueca olhando pra mim. Vejo seu pau quase duro, seus pelos ruivos. Ele sobe na cama, com aquele caralho. Vem de joelhos até de mim, com aquele caralho, estou deitada. O animal tesudo na minha frente puxa meu quadril e só se abaixa pra colocar a boca molhada na minha boceta.Um vento fresco sopra no meu corpo enquanto sinto um calor umido envolvendo minha vulva ansiosa. Me chupa, me lambe. Ele faz isso sem falar uma palavra. Fico louca querendo um dedo fodendo bem leve e devagar minha boceta. Pego uma mão dele com a minha, manipulo-a para deixar só o indicador apontado e vou a levando até aquela minha boca que nunca se sacia. Ele trava as mãos, e num rápido movimento prende a minha. Continua me chupando e vai me convencendo a aceitar só aquela delícia de chupada não soltando minha mão. Finalmente me comporto, mas continuo angustiada. QUando já quase desisti, ele enfia o dedo, com calma mas sem aviso. Ai que tesão, eu quase morro. Começo a gemer fundo, lento e com raiva. Ele para, olha pra mim e me fala: você tá loca pra trepar, né minha vagabunda? Vira aqui, me chupa um pouquinho. Então deitamo-nos, minha boceta na cara dele, o caralho gostoso dele na minha cara. Ele começa a me chupar, de novo. Olho pro pau dele, sinto o cheiro, começo a lamber devagar, a lingua dele na minha xana e o tesão dele ficando mais intenso me excitam enormemente. Começo a querer o pau dele todo na minha boca. Vou lambendo e chupando, enquanto aperto bem de leve o saco peludo dele. O pau dele vai ficando cada vez mais duro, meu tesão cada vez mais gostoso. Chupo o pau dele desesperada, quase gozando. Ouço de leve os gemidos dele e com o pau duro minha boca, com a lingua pressionando cada vez mais forte para não mordê-lo, gozo gostoso. Gozo com aquele pau na minha boca, aqueles pelos, virilha, bolas nas minhas mãos. Gozou minha delícia? Agora vem aqui pra eu te comer um pouquinho. Pega o pau duro e passa no meu clitóris, olhando bem o que faz. Daí olha pra mim, lambuza o pau com a própria saliva e coloca a cabeça de leve na entrada daquela minha boca. Eu sinto o pau dele entrando. E ele vem bem devagar, chegando perto de mim. Então nos abraçamos. Que saudade, que alívio, que tesão. Voltamos para casa, aquela que é só nossa. Então ele começa e me foder bem devagarinho. Que caralho gostoso que ele tem. Sinto todo o caralho dele roçando, pressionando, me abrindo, me deixando louca pra gozar de novo. Começo a comê-lo também, e quanto mais meu tesão aumenta, mas fundas são as roçadas e estocadas que dou em seu caralho e em sua púbis. Ele fala: isso, me come minha puta. Eu encosto o ouvido em sua boca. A cada sacanagem que ele fala eu sinto o calor úmido da sua boca, seus lábios tesudos e seus pelos duros do rosto atiçando meus pelos a se eriçarem. Ele fala uma fala que me faz sentir minha boceta inteira, em cada detalhe. Gemo mais alto, roço e fodo mais fundo, ele fala: assim, assim. Fico louca. Goza meu tesão, goza, goooza, e quando vê que eu estou quase gozando, fala puto e forte: goza sua filha da puta! Gozo uma gozada louca. Esporra no meu caralho...eu gozo...
Depois de mais umas tres gozadas ele começa e me foder mais de longe. Deixa o corpo descolado do meu e me come enfiando o caralho mais forte e vigoroso em mim. Seu rosto muda, fica mais bicho e nada gente. Sinto o tesão dele amentando e falo carinhosamente: vem lindo, goza na minha boceta, enche minha boceta de porra. Esporra na minha boceta, vai seu filho da puta, esporra! Ele goza como um animal. E não para de gozar, treme inteiro com a boca escancarada, tentando enfiar o pau em mim o mais fundo e forte que consegue. O orgasmo dele é livre, grande, é só dele, adoro senti-lo gozar, ver aquela cara, sentir aquele orgasmo me envolvendo, dentro de mim. Sou a mãe dele quando ele goza. Goza na mamãe, meu tesão, eu penso, sem ousar falar e vendo-o nascer de dentro me mim novo em folha. Depois denascer, parece que ele acorda. Ele me olha, vem até mim. Nos abraçamos. Ele fala ainda tarado: gozou minha delícia, gozou gostoso? Gozei, respondo tímida. Silêncio... mas que bela trepada, hein?, ele fala sacana. Minha gargalhada... Começo a roçar de novo na perna dele. Já começou de novo minha safada? Não vou conseguir te comer de novo agora. Ele oferece a coxa para eu me roçar. Me provoca, me chama de tarada. Dá um tapinha bem de leve na minha bunda, que faz vibrar minhas nádegas até a minha vulva. Me excito num tesão fino, bravo e ressentido. Aiii, digo meio gemendo. Que é, minha vagabunda? Você gosta hein? Outro tapinha leve. Você é uma menina muito má, já quer gozar de novo, né sua vagabunda? Vou roçando brava na coxa dele, cada vez mais tesuda, cada vez mais tarada. Vou roçando, e aqueles tapinhas. Goza minha puta, a melhor das putas. Gozo. Mas é uma tarada!, ele exclama. Que mulherão! Mas não gosto só do seu sexo, gosto do seu charme, da sua inteligência. Você é poderosa, um bucetão! Rio, orgulhosa e tímida, ainda tarada, com um sorriso escancarado e aberto que faço força pra fechar sem muito sucesso enquanto passo a língua nos dentes. Depois relaxo e me deito brincando com a vida no peito forte e protetor dele. Ele dorme e eu o contemplo. Ele ronca e eu rio baixinho. O acordo. Vamos dar uma lavada?, ele convida.
E assim, saímos da cama.
Imaginem se um dia esses corpos relatados, forem apenas virtuais? as imagens falam por si, e o texto significa a vida!
domingo, 13 de junho de 2010
Tecnologia e Arte, uma Visão Crítica: ITeatro?


Gerald Thomas
"Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada."GT
Estou estudando os artistas e os meio digitais, os performáticos contemporâneos e suas obras, e tenho acompanhado a obra, escrita, falada, imagética, de Gerald Thomas. Em um de seus textos que servem de analise para meu trabalho ele critica a possibilidade do ITeatro! o texto em Português abaixo é seu "Grito" e aviso, e acima link na integra com texto em inglês.
Talvez esse mundo tão solitário, onde a arte esta agora, onde o espectador começa a encontrar registros de obras de arte a categorizar essas novas obras digitais, podem levar a morte do teatro? O Brasileiro, gasta "por ano 56 centavos" com teatro, dados do IBGE!
Acabo de realizar uma pesquisa que aponta números absurdos, de horas em que estudantes dedicam sua vida na internet. A grande maioria não foi ao teatro nenhuma vez esse ano!
Muitos Grupos, Performers e diretores de Espetáculos de teatro querem transmitir em tempo real, imagens para a rede, e cada dia essa ância tecnológica vem aumentando, Será que o mundo digital tecnologico pode mesmo destruir o teatro? Ou aparecerá novas possibilidades de mudanças para tal? ou o que ainda sobra dele?
Provocador, em outra entrevista Gerald Thomas aos 33 anos criticou no Roda Viva o teatro do Brasil, mas ninguem percebeu a possibilidade que tinhamos em mãos para enteder o que um artista autor e criador estava falando, por que o que me parecia é que ele estava prevendo esta crise ao qual se encontra hoje o teatro não só no Brasil, mas no mundo.
Talvez por isso a performance tem mergulhado e se tornado algo tão espetácular, o que mais vejo é artistas se denominarem: Atores e Performers.
Por que No texto abaixo um texto de indepêndencia? Tirem suas próprias conclusões, e me digam, o que é o ITeatro? ITeatro seria uma forma de manipulação? o ITeatro se pareceria com uma Blog Novela o que fazer, para que tudo não se transforme em digital, virtual?
Ir ao teatro ou assistir de casa? Delivere? A indepêndencia seria o fato de não ter resposabilidade com essa esquizôfrenia? De não compartilhar esse ideal que vem sendo apontado ao longo da história? e ao mesmo tempo, conhecer, e experimentar tal processo?
Você já assistiu algum espetáculoa na net? Então veja aqui!
Minha “INDEPENDÊNCIA OU MORTE” – TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Good Bye”
New York – Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão.
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55, um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?
I can’t go on. And I won’t go on.
Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “but I’ll go on”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.
Minha vida nos palcos acabou. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.
Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”usava a platéia como meu terapeuta”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece.
É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.
Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.
Daniel Barenboim, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses.
Não sou tão genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.
AMNÉSIA TEMPORÁRIA
Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:
“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios nas peças de Harold Pinter! Não são psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras…”
Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando.
“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”.
Serão mesmo? Homenagens? Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.
“Mais do que nunca eu acredito que somente através da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão e Isolda”, onde o amor somente é possível através da morte e vice-versa. No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida na cena final de “Rainha Mentira”), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”.
Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa.
“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ”
Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer.
Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.
Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou. Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.
Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.
(nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)
Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o Ivan Serpa e o Ziraldo me ensinaram muitíssimo cedo na vida.
E… Haroldo de Campos.
Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas… a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “Eletra ComCreta” se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas.
Mas ele só veio aparecer na minha vida na “Trilogia Kafka”, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.
Nem mesmo a convivência com Helio Oiticica foi uma coisa tão forte e duradoura.
Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo.
Philip Glass dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (http://www.vimeo.com/2988089). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no www.geraldthomas.com ou aqui em vídeos, no blog.
Meu pai me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo?
Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich. E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.
Sim, encontrei Samuel Beckett, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no www.geraldthomas.com e se depare com o meu universo.
E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o Village Voice e o SoHo News pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, mas era tudo uma NOVA criação. Era o exercício do experimentalismo. Do risco. E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.
Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..
Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.
Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.
Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “Quartett” de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.
E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.
Sim, o tempo semi-acabou.
Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.
Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a Tower Records abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a Virgin, que destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.
Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.
São muitas fantasias que a depressão não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.
Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu:
“O teatro é mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.
No improviso também há tradição.”
Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar.
Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst.
Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir.
Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada.
I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes, I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.
Um breve adeus para vocês!
LOVE
Gerald Thomas, 7 September 2009
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Os amores, a morte, e minha dança do adeus...

Fotografia: Fernanda Echuya Performance: Adriane Gomes - Vertical - Orientação: Toshi Tanaka
Adri: Por que temos essa necessidade do verbo?
Ele: Por que não ficamos em paz? São coisas tão banais, por que nos preocupamos com coisas que não fazem sentido algum?
Adri: Agora, pesando ...imagino que o medo da morte é o lugar onde anda tudo isso...
Ele: o medo de não existência, o medo de olhar e enchergar que as pessoas morrem...
e que a cada oi, é a realidade de que elas estão vivas...
Adri: D'us quanta ângustia dentro da minha alma, por que entre céus e terras morro de medo de perder ou de perceber essa possibilidade?
Ele: o problema das possíbilidades é se as coisas, vão mesmo acontecer...
Adri: vou sair agora me envenenar de cigarros, acender um baseado, e chorar picas sobria da verdade... Hamlet, de William Shakespeare, Ofélia diz: adeus passarinho voa...
Ele: muitos já partiram muitos já se foram, não falem meu nome, nem escrevam aquilo que ainda não disse, mande me a puta que pariu, mas não finja que não existo!
Adri: porque na verdade existência e sua existência necessáriamente, não depende de nós, ou depende?...
Ele: mas decidi, acaba agora meu sofrimento, começo agora uma nova fase, porque agora já disse que te amo!
Adri: e desaguou em mim aquela saudade que não existe, ele partiu, o outro nunca veio, meu amor que dança, lá morreu, e hoje, que será de mim hoje?
ele: disse que vem, mas pode ser apenas promeça que nunca vai se cumprir, sempre que tento terminar tudo, ela diz que também sente o mesmo...
Tá difícil de enteder...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Palavras ao vento...

Para o amor não existe palavras, para o amor não tem sentidos, ou frases feitas...
Sentimentos, apenas isso, e nada mais...
No amor só existe o amor, ele mesmo: O AMOR.
talvez entre as falas mais loucas e alucinadas está a ação de amar: eu falo: amo, eu te amo!
Sabe que nunca havia escutado isso na minha vida, desse jeito...
O amor é como frio nas costas ou como o vento que sopra profundo a vida...
assim é o amor, aquele que faz frio no estômago ou aquele que corta o coração...
mas amar fato fundamental na vida não pode ser mera ação do tempo, o amor é como bisturi, corta e aprofunda caso a mão seja pesada...
Eu te amo, não pode ser dito, de qualquer jeito...
precisa acontecer de verdade, e se os dois se amam...
...amor não é o fato de querer obter algo, mas o fato de você olhar e amar, já dizia Alberto Caieiras....
...desde o primeiro momento "amor", assim é pra mim o amor carnal dos amantes!
Pra mim... Amor de criação e parceria, é outro amor, não esse que se come, que se molha, mesmo que a distância se faça...
Esse amor que transforma de dois em um só... esse é raro!!!
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