sábado, 26 de junho de 2010

Salamandra de fogo: Como disse Aristóteles e Plínio, a salamandra não apenas resiste ao fogo, mas tem o poder de apagá-lo, atacando as chamas da mesma forma com que se ataca um inimigo.

As salamandras (salamanders em inglês) são anfíbios reais aos quais a lenda e o folclore atribuíram o poder de viver no fogo e de extingui-lo. O mesmo nome foi dado aos elementais do fogo pelo médico e alquimista Paracelso em seu Tratado sobre os Espíritos Elementais, de 1566. O nome vem do grego salamandra, talvez derivado do persa sām, "fogo" e andarūn, "dentro de".

A salamandra é uma espécie de anfíbio muito resistente ao fogo. Segundo a Mitologia, a salamandra era uma espécie monstruosa, pois não se sensibilizava com o fogo nem um pouco, ela sai de repente do meio das chamas. Como disse Aristóteles e Plínio, a salamandra não apenas resiste ao fogo, mas tem o poder de apagá-lo, atacando as chamas da mesma forma com que se ataca um inimigo.

Como as salamandras são confundidas com lenhas, quando são queimadas, elas conseguem fugir do meio das chamas. Na verdade, a salamandra possui um mecanismo de defesa, onde em situações de perigo é expelido um líquido de sua pele, esse líquido não apaga o fogo, dá uma pequena proteção para o animal.



Na "Vida de Bevenuto Cellini", artista italiano do século XVI, escrita por ele mesmo, há o seguinte trecho: "Quando eu tinha cerca de cinco anos de idade, meu pai, estando num pequeno quarto, onde estava fogo e madeira de carvalho, olhou as chamas e viu um animalzinho semelhante a um lagarto, que podia viver na parte mais quente do elemento. Percebendo imediatamente do que se tratava, chamou-me e a minha irmã, e, depois de nos ter mostrado a criatura, deu-me um tabefe no ouvido. Caí, chorando, enquanto ele, consolando-me com carícias, disse estas palavras: "Meu querido filho, não te dei este tabefe por alguma coisa errada que tiveste feito, mas para que te lembres que a criaturinha que viste no fogo é uma salamandra, tal qual nenhuma outra foi vista por mim até hoje". Assim dizendo, beijou-me e deu-me algum dinheiro."

Parece-nos desarrazoado duvidar de um caso que o Signor Cellini foi uma testemunha tanto de vista como de ouvido. Ajunte-se a esta autoridade de inúmeros e sábios filósofos, à frente dos quais estão Aristóteles e Plínio, afirmando aquele poder de salamandra. De acordo com eles, a salamandra não somente resistia ao fogo, mas o apagava e, quando via a chama, avançava contra ela, como um inimigo que sabia vencer.

Não nos devemos maravilhar com o fato de que a pele de um animal possa resistir à ação do fogo. Assim, chegamos à conclusão de que a pele da salamandra (pois existe realmente tal animal, é uma espécie de lagarto) era incombustível e de grande utilidade para servir de invólucro a artigos muito valiosos para serem protegidos por material; comum. Foram realmente produzidos panos à prova de fogo, que se diziam feitos da pele de salamandra, embora os conhecedores verificassem que a substância de que eram feitos era o amianto, um mineral cujos filamentos muito finos podem ser aproveitados para a fabricação de tecidos.

O fundamento das lendas acima relatadas parece provir do fato da salamandra realmente secretar pelos poros do corpo um líquido leitoso, que, quando ela se irrita, é produzido em grande quantidade e que pode, sem dúvida, durante alguns momentos, protegê-la contra o fogo. Além disso, a salamandra é um animal hibernante, que, durante o inverno, se refugia em algum tronco oco de árvore ou em outra cavidade, e ali permanece em estado de torpor, até que a primavera a desperte de novo. É possível, portanto, que seja levada ao fogo junto com a lenha e só desperte a tempo de recorrer a suas faculdades defensivas. Seu suco viscoso lhe seria, então, de todo valor e todos quantos a têm visto admitem que ela trata de sair do fogo o mais depressa possível, com exceção de um caso, em que as patas e outras partes do corpo do animal ficaram seriamente queimadas.



As salamandras (salamanders em inglês) são anfíbios reais aos quais a lenda e o folclore atribuíram o poder de viver no fogo e de extingui-lo. O mesmo nome foi dado aos elementais do fogo pelo médico e alquimista Paracelso em seu Tratado sobre os Espíritos Elementais, de 1566. O nome vem do grego salamandra, talvez derivado do persa sām, "fogo" e andarūn, "dentro de".  

As salamandras são anfíbios de corpo delgado, cauda longa e pernas curtas. A lenda sobre sua conexão com o fogo parece ter-se originado da tendência de muitas salamandras a hibernar dentro de troncos apodrecidos. Quando esses troncos são usados como lenha e postos ao fogo, a salamandra tenta escapar (como testemunhou o artista italiano Benvenuto Cellini em sua autobiografia), o que leva à crença de que foi criada pelas chamas.
Sua pele úmida e a secreção leitosa que produz quando ameaçada também alimentaram a idéia de que fosse imune ao fogo. Essa secreção, que visa espantar predadores, é tóxica.
As descrições clássicas da salamandra do fogo correspondem à aparência de certas variedades das espécies européias Salamandra salamandra e Salamandra atra.
Salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra)
A salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra) é negra com manchas amarelas. Mede entre 14 e 20 cm de comprimento. As larvas geralmente são aquáticas. As subespécies fastuosa e bernadezi são vivíparas. As restantes são ovovivíparas. O adulto é sempre terrestre. São encontradas em grande parte da Europa central e do sul, em áreas com altitudes entre os 400 e os 1000 m, e também ocorrem no norte da África. Podem segregar pela pele uma substância tóxica denominada samandrina, um alcalóide que provoca convulsões musculares e uma elevada pressão sanguínea, combinada com hiperventilação. As glândulas de veneno estão concentradas na zona do pescoço e na superfície dorsal. As áreas mais coloridas do animal normalmente coincidem com a localização dessas glândulas.

Salamandra alpina (Salamandra atra aurorae)
A variedade mais comum da salamandra alpina (Salamandra atra) é negra brilhante. A subespécie Salamandra atra aurorae, porém, possui marcas douradas ou amarelas no dorso. Esta variedade está classificada na Lista Vermelha da IUCN (2002) como criticamente ameaçada de extinção. Pode ser encontrada nos Alpes Centrais e Orientais, a altitudes acima de 650 metros. Os adultos têm 9 a 14 cm de comprimento e a esperança de vida é de pelo menos dez anos. Ao contrário da maioria dos anfíbios modernos, seu ciclo de vida não necessita de fase aquática. A fêmea produz descendentes já perfeitamente formados e não girinos. É um anfíbio ovovivíparo, cuja fêmea produz uma prole de duas crias de cada vez. A gravidez tem uma duração de dois anos a altitudes de 650 - 1.000 metros e 3 anos em altitudes de 1.400 a 1.700 metros.

Salamandras na Antiguidade 

A descrição clássica da salamandra é de Plínio, o Velho (23–79 d.C.) segundo o qual "é um animal similar ao lagarto em formato, com o corpo todo estrelado; nunca é visto a não ser sob chuva forte e desaparece assim que o tempo melhora". A descrição é consistente com as marcas amarelas da salamandra alpina (Salamandra atra aurorae) e da "salamandra de fogo" (Salamandra salamandra).
Plínio também refere (ainda que se dissesse cético a respeito disso), que lhes era atribuído o poder, relatado também por Aristóteles, de extinguir o fogo com a frieza de seus corpos e anota supostas propriedades medicinais e venenosas. Uma única salamandra que se enroscasse em torno de uma árvore poderia envenenar seus frutos a ponto de matar qualquer um que os comesse. Se caísse em um poço, também mataria todos que dele bebessem. Parece ser uma descrição muito exagerada das propriedades tóxicas reais das secreções do animal.

Salamandras na Idade Média 


Salamandra em bestiário inglês do século XV
Nos bestiários medievais, as salamandras foram descritas de muitas maneiras fantasiosas, incluindo "uma criatura semelhante a um sátiro dentro de uma tina circular" (século VIII), "um verme entrando nas chamas" (século XII), "um cão com asas" (século XIII) e "um passarinho em chamas" (século XIII). As representações renascentistas aderiram mais de perto à descrição clássica de Plínio.
Viajantes europeus no Oriente, principalmente na China, viram roupas imunes ao fogo, supostamente feitas de pelo ou lã de salamandra. Marco Polo, porém, acreditava que, na verdade, tratava-se de uma substância incombustível encontrada na terra - provavelmente fibras de amianto.
Outros, porém, consideraram-na um tipo de seda. Em uma carta forjada no século XII como sendo do legendário Prestes João dizia que seus domínios havia salamandras que viviam no fogo e faziam casulos, dos quais as mulheres da corte teciam roupas que, para serem limpas, eram jogadas às chamas.

Salamandras na Heráldica 

 

Na heráldica medieval, a salamandra foi representada como algo parecido com um cão de pernas curtas, rodeado de fogo. Mais recentemente, tem sido representada como um lagarto ou uma salamandra propriamente dita, mas ainda entre chamas e, às vezes, também as vomitando.
Simbolicamente, representa a fé duradoura que triunfa sobre os fogos da paixão. Também é um emblema tradicional dos ferreiros e aparece em brasões de cidades para representar a metalurgia e a siderurgia locais. Algumas companhias de seguros também usam a salamandra, referindo-se à sua suposta capacidade de combater o fogo. Metaforicamente, refere-se à mulher que vive castamente em meio às tentações e ao soldado que se expõe ao fogo da batalha.

 


 


 



ainda bem que esse blog é meu! e aqui posso fazer o que eu quiser!


kussss!

5 comentários:

O Portal disse...

ula la la que forma boa de se acordar
Linda Adri

Adriane Gomes disse...

Só vc mesmo para cometar! eu sabia!!! Mas também eu exagero mesmo!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Como sempre eu atrasado...ou talvez seja porquê eu levanto sempre em horários estranhos

abraço

Adriane Gomes disse...

risos... estranhos horários... preciso disso nos proximos dias...a cordar bem tarde! todos os dias!

Lola Martini disse...

mas que bela salamandra!