OP - Agora em dezembro, o Ministério da Justiça autorizou o pagamento de um retroativo de R$ 569 mil, além de uma aposentadoria vitalícia de R$ 5 mil mensais, a você, como parte das indenizações daquilo que você sofreu ainda durante a ditadura. Isso paga?
Zé Celso – A justiça, eu fiz Direito e sei, é superior à lei. Nada vai pagar o que eu sofri. Nada na vida supera a tortura. Eu acredito e defendo que, na guerra, tudo é permitido, menos a tortura. Você pode até matar, mas não pode torturar. A tortura põe o ser humano na condição mais humilhante que existe, o nosso corpo e as nossas ideias são dilaceradas. O corpo humano é sagrado e a tortura desrespeita isso! A gente é brutalmente espancado, leva choques elétricos fortíssimos, isso tudo encapuzado, só para dizer o que as pessoas querem que a gente diga. O pior é que tudo isso é feito na ilegalidade. Para o mundo, nada ocorreu, você apenas mudou de ideia. A tortura foi a experiência mais terrível de toda a minha vida. Nenhum dinheiro do mundo apaga isso. Agora, claro, eu sou pragmático. Vejo essa indenização que estou recebendo como um dever do Estado. É pouco, é muito? Não sei, não me interessa. Só sei que vou receber. É o que tem que ser. Entende? Eu não tenho culpa em relação a nada que fiz na ditadura e também não tenho ressentimento. Agora, lei é lei. Tortura é crime e a indenização se justifica por isso.
Um comentário:
Puxando sardinha pra minha brasa, algumas feministas tentam mudar o conceito de tortura pra que ele abarque também o estupro.
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