segunda-feira, 28 de junho de 2010

A morte, o corpo e outros assuntos...

Quando eu penso na morte, quando eu penso em como as pessoas usam o poder, quando eu penso na miséria, quando eu penso, eu penso...
Ontem quase cinco horas da manhã após discutir uma velha história com o senhor Cristiano Feitosa do Vale, a velha história do que querer e do poder, o pedido de chega e parece nãos ser escutadado.
 Lá dentro de mim, na verdade o que me incomodava, não era o texto do Criss, mas sim a morte do meu Pai!
quando começamos discutir eu refletia sobre a passagem, esse lugar triste da morte, esse lugar onde estou entre...

As lembranças vinham como fantasmas, eu tinha pego um avisão e corri para ver seu corpo, no caixão, tinha que me despedir, fazer a passagem. (eu tinha ganho essa passagem da TAM)

Cheguei no aeroporto peguei o carro com meus irmãos, e cheguei no Pará, Conceição do Araguai.

Lá estava eu, diante do corpo vestido, de meu Pai, repetindo a triste história de anos atrás, seu corpo, seu rosto inchado e desfigurado, seu corpo fedia, já estava apodrecido, putrefando pelas 24 horas após a morte...

Foi muito triste... eu entrei correndo para dentro de um banheiro, e chorei... chorei... e chorei...

Não reconhecia naquele corpo,  seus traços, e assim me lembrei a ultima vez que nos vimos, e que olhamos olhos nos olhos, seu corpo magro, pequeno, e forte... agora apodrece.

Morrer, morre e parte entre os céus e terras...

Deus por onde ando? Deus para onde vou? estava perdida, e parece que eu não deveria ter estar alí, foi uma nova experiência sobre a morte.

Aquilo que me é mais senssível, o cheiro... e nunca vou poder me esquecer daquele cheiro! nunca!!!

Quero ficar perto de tudo... fomos para a casa dele, ou antiga casa dele, ou casa de quem agora vai ocupar, fui buscar sua ferramentas seus hoje read made da vida.

Seu Joaquim era Joseph Beuys, era poeta da terra e disse: nunca estou sozinho estou sempre acompanhado da senhorita solidão e da dona saudade...

O cachorro chorava e sua carinha triste e já envelhecida... a vacas vinham descendo enfileiradas, e mugiam um choro, e a tristeza... buscavam seu dono!

pararam na porta da porteira e mugiam, sim mugiam... as vacas pareciam sentir...

Seu Joaquim não era aquele que estava no caixão! ele era aquele incapaz de maltratar um bicho ou pessoas, na juventude bravo e rebelde, foi mudando e se tornou esse homem doce, um senhor crítico, político, e falava sobre a miséria no mundo, refletia o povo, e trabalhava... era esse homem que me mandava ler em voz alta as literaturas de cordel, e que contava sobre o poder do rico e da necessidade de ser alguem e de estudar...
ele queria muito ter uma filha letrada, sou parte de tudo isso orgulho e fé se misturam...

Mas o corpo apodrece, e tem cheiro, e morre como qualquer animal... a carne, a lâmina, a vida!